©Em mente

Bigfield, Terça-feira, Janeiro 17, 2006


Bom

Num passo teu, encontro o que é meu.
Encontro meu ar quando tu respiras
Minha glória quando sorris.

Tua voz canta minha melodia
Seguindo os acordes do meu olhar.
Que corra para mim a tua graciosidade.

Num sono mais profundo em teu réquiem,
Sei que sou eu, sou eu a te adorar.
Porque sei, como é simples e bom te amar.

Ciclope, às 19:02

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Bigfield, Terça-feira, Maio 03, 2005


O Livre arbítrio

O homem é o animal mais cruel do mundo
Antes fosse irracional.
A natureza do homem é mais complexa do mundo
Antes fosse artificial.
O homem é o ser mais bizarro do mundo
Antes fosse anormal.
O que diferencia o homem do macaco...
A bomba atômica.
O que distancia o homem de Deus...
O livre arbítrio.


Ciclope, às 13:10

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Bigfield, Segunda-feira, Março 28, 2005


Eu Tanásia

Eu quis muito voar,
mas agora só consigo andar.
Eu quis muito ganhar,
mas agora só consigo participar.

Eu quis muito viver a cada dia
mas adulto, vivo por mês.
Eu quis muito dedicar minha vida
mas assim, dou um passo por vez.

Eu ainda vegeto sob meus sonhos,
mas estou certo de que darei frutos.
Eu ainda sigo rumo ao outono,
mas depois de atravessar os meus mundos.

Ciclope, às 07:41

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Bigfield, Sexta-feira, Setembro 24, 2004


Como um ipê

Enquanto todas as outras árvores se entregam, deixam suas folhas caírem.
Enquanto todas as gramas secam, deixam seus tons verdes sumirem.
Enquanto toda a terra seca, deixa seus pós subirem.
Eu amo você como um ipê, que;
Mesmo sem folhas, ao vento árido e quente,
Mesmo sem chuva, ao sol agressivo e ardente,
Dentre as ávores, ela é a mais surpreendente.
O ipê deu tudo de si, toda a energia que restou,
Ele floriu e suas cores fortes mostrou.
Com todo o clima ruim, o ipê não desistiu de continuar.
Como eu que sem forças e debilitado ainda vou te amar.
O ipê só tem flores, e eu só amor para te dar.

Ciclope, às 18:38

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Bigfield, Segunda-feira, Setembro 20, 2004


Recair

Renasço a cada dia do chão no qual me atiram.
Mesmo depois de pisoteado por uma manada de porcos que correm para o abismo, eu ainda me levanto.
Mesmo depois de ferido com as lanças dos guaicurus em guerra, eu ainda me levanto.
Ainda depois dos tropeços nas trilhas de ouro, eu me levanto.

Renasço da ignorância de quem nada sabe, mas nada aprende.
Renasço na humildade de quem a todos ouve, mas a ninguém escuta.
Renasço dentre as fogueiras da vaidade com todas a queimaduras.
Renasço com todas as dores de quem nasce. E quando me derem a palmada, não chorarei, apenas vomitarei o azedo do que me darão de comer.

Ciclope, às 19:32

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Bigfield, Terça-feira, Agosto 10, 2004


O Preço

Como num dia de revolta eu padeço.
Depois de dias de tortura sou poupado.
O meu coração me faz pagar o preço.
Sou assim, amando e sendo amado.

Não sei o que é o belo amor.
Paz e amor talvez incompatíveis.
Pois o mundo o torna em dor,
E faz as feridas irredutíveis.

Como um cordeiro ao sacrifício,
Celebro minhas dádivas e renúncias,
Mesmo sem ser compreendido,
Vivo minha tragédia e angústias.

Não sei se amo o amor,
Mesmo com pedras nos meus pés,
Sigo para onde sinto calor,
Movido pelo que restou da minha fé.

Ciclope, às 20:07

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Bigfield, Sábado, Julho 10, 2004


O Meu Quarto Mundo


Meu quarto só tem quatro cantos,
Eu já estive em cada um deles.
Nos momentos de alegria estive no canto direito da parede onde está a janela.
Nos momentos de solidão estive no canto esquerdo atrás da porta.
Nos momentos de raiva estive no canto mais longe da entrada.
E nos momentos de espera estive no canto mais apertado com outras coisas.

Meu quarto só tem um grande espelho.
E eu já me vi de vários ângulos nele.
Nos momentos de euforia vi como eu mudava meu visual.
Nos momentos de chegada vi como já não era o mesmo de quando saí.
Nos momentos de tristeza eu não queria me ver.
Nos momentos de silencio eu me dava as costas.

No meu quarto, a cama é de casal
Porém sempre durmo na diagonal.
Tem muitas gavetas bagunçadas.
Muitas caixas pretas fechadas.
Muitas roupas minhas jogadas.

No meu quarto, só quem entra sou eu.
Não quero ter o trabalho de tirar o mofo.
Deixe-me tirar o pó que tanto odeio.
Pelo menos aqui, o meu mundo é só meu.

Ciclope, às 17:15

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Bigfield, Quinta-feira, Junho 17, 2004


Bombons

Diga-me palavras adocicadas,
Use todo o doce que você devora,
Deixe sua boca mais achocolatada,
Dois bombons lhe bastam para eu ir embora.

Suas noites roubam minhas estrelas,
Seu jeito rouba meus pensamentos,
Nem vejo mais o sol se pôr sobre as telhas,
E assim a paz foi levada pelos ventos.

Deixe-me saber até quando leva à sério,
Ri tanto à toa, dizendo que sou tão tenso.
Se faço tempestade no meu copo de mistério,
Também faço a brisa para o seu acalento.

Tudo termina onde eu comecei,
Entre nossas palavras e emoção.
Tudo gira em torno do que encontrei,
O prazer da paixão num bombom.


Ciclope, às 20:34

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Bigfield, Sexta-feira, Junho 11, 2004


TU, sabes que é para ti

Eu te ouço, como um maestro a sua orquestra,
Eu te vejo, como um garimpeiro vê o ouro,
Eu te beijo, como um beija-flor à bromélia.
Eu te busco, como um pirata ao tesouro.

Meu prazer é cuidar de ti,
Nas noites frias te cobrir,
Ler o que diz teu olhar,
E simplesmente te adorar.

Quando me perguntas se me fazes feliz.
Vejo tuas atitudes e teu olhar nos diz.
Que tu só me fazes tão bem,
Desde o teu tom de voz ao modo como me tens.

Ciclope, às 18:44

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Bigfield, Quinta-feira, Abril 29, 2004


O doce mundo do adoçante dietético

Levantei-me cedo como outros dias.
Mas neste dia não era como outros.
Foi uma xícara de café. Foram três gotas de adoçante.
Foram três questões na minha mente.
Foram três decisões na minha alma.

Comecei meu dia com o artificial.
Faz o papel de doce, mas é ruim no final.
Que me poupa de males, e sem efeito colateral.
O doce mundo do doce dietético.

Onde tudo é bonito, um mundo estético.
Onde eu deixo de sentir o que me encanta.
E só fica gosto de engano na garganta.

Vi as vezes que eu me dei ao doce mundo dietético.
Medo dos danos e evitando excessos.
Permitindo-me gotas para não pagar o preço.
E vivendo do artificial como se fosse o verdadeiro.

Dê-me açúcar, mesmo que mascavo.
Sentirei o que sinto, mesmo que mascavo.
Viverei o meu risco, mesmo que mascavo.
Quero algo real na minha vida, mesmo que mascavo.

Ciclope, às 15:50

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Bigfield, Domingo, Março 14, 2004


Colina

Quero pegar tuas mãos,
Quero caminhar contigo
mesmo em diferentes caminhos.
Estradas distintas.
Passos distintos.

Quero ouvir-te
Quero ouvir tuas palavras
Palavras diferentes
Mentes distintas.
Sonhos distintos.

Quero apreciar teu vôo
enquanto faço o meu
Quero que vás para o mais alto
enquanto posso ver-te.

Quero que corras e dês
o mais longo salto
E eu, desafiarei os trampolins
e a corda bamba.

Quero-te completamente
Com tua dependência e liberdade.
Como a águia que voa sozinha na estratosfera
mas que sempre retorna ao aconchego,
descanso e proteção:

A sua Colina.

Ciclope, às 17:56

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Bigfield, Sexta-feira, Março 05, 2004


Paradoxo

Vivemos a era da solidão.
Estamos preso a nossa liberdade.
Tudo se torna em simples opção.
Mentira agora se chama "inverdade".

Vivemos a era da quantidade,
Momentos se perdem no caminho
Temos padrões de qualidade.
E ainda nos sentimos sozinhos.

Assim tenho tempo para os detalhes
As menores coisas da minha vida,
Percebo quão lindo o sol na cidade,
E o intervalo entre as gotas na minha pia.

O passado está na parede do meu quarto,
Mas também tenho o presente no meu espelho,
As coisas boas a sete chaves no armário,
E a espera por algo que me faça inteiro.

Ciclope, às 11:35

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Bigfield, Terça-feira, Março 02, 2004


O meu mundo


Tão teórico e auto-explicativo,
sobre mim, sobre o que eu sinto.
Tão sério, mas tão imaturo,
sobre minha existência no mundo.

No mundo chamado você,
Onde há os raios que me partem em dois
Onde há os olhos que ainda me vê
e a mania de me deixar para depois.

Ter que engolir as horas de espera
por um chamado seu.
Sabendo que a espera agora é inútil.

E ver que tudo escapou entre os
dedos meus.
Quando tudo deixou de ser fútil.

Misture tudo que há de bom e mal
Quero ter você do jeito que é
Faça-me sentir fora do normal,
Dê-me seu efeito, como quiser.

Há pessoas vivendo doses de absinto
no amanhecer,
Deixando as tardes num vazio e a dormência
acontecer.
E nos olhares vemos o sonho esmaecer.
Porque todos deixam de ver desse modo,
o modo como eu vejo você.

Ciclope, às 16:25

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Bigfield, Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004



Vestígios de uma tarde

Quando tudo se finaliza, termina uma parte do papel em minha vida.
São os montes de cupins, as quais confundi com montanhas,
foram os sustos que levei das folhas secas, pensando que eram morcegos de fim de tarde.

Mas minha casa continua nostálgica. Estou só outra vez,
e então posso me sentir livre para subir até o galho mais alto
da minha árvore e capturar os peixes do córrego do parque.

O ardor de uma corrente de ar frio me faz abraçar a mim mesmo, eu posso,
eu mesmo, aquecer-me, por um instante.
Acima são tantas cores, o céu não é somente azul e o sol não agride mais.

E corri para me ver. Olhei-me. A água distorceu minha imagem. Toquei-me.
Vi que não era água que estava agitada, mas sim, eu, em minha correnteza.

Ciclope, às 16:52

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Bigfield, Terça-feira, Fevereiro 17, 2004



Dia dolorido

Que ironia, mas minha vida, ela própria me dói.
Dói viver, como a dor que senti ao nascer.
Dói vir ao mundo, o modo como ele veio a mim.
Dói esse meu exagero, a culpa disso tudo me dói.

Não há cura, só alívio. E cada vez preciso de mais.
Como um vício de um organismo problemático,
Como um ser, que por mais dopado ainda sente.

Nada melhor que os dias passarem e trazerem mais alívio,
Vivendo a expectativa de que cada dia me alivie.
No meio da estrada, entre o que fui e o que serei, desprezando o que sou,
Essa culpa me dói, dói estar assim por hoje, preso entre o passado e o futuro.
Preso, isso me dói.

Ciclope, às 20:06

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